LINHA DA VIDA
LINHA DA VIDA Abria uma garrafa de água, como fazia todos os dias após o almoço, girou distraidamente a tampa com a mão esquerda e sentiu que algo lhe cortara. Olhou a garrafa e percebeu uma beira de plástico, mal cortada, formando uma lâmina afiada; finalmente, lembrando de olhar a palma da mão percebeu um corte longo e quase profundo. Deu pouca importância ao ocorrido e voltou ao trabalho. A noite, já na cama, recordou-se do ocorrido ao esbarrar na palma recém ferida, o livro que lia de má vontade. Pousou, então, o livro sobre as pernas e a mão sobre o livro e ficou observando: o corte atravessava a linha de sua vida, criando uma espécie de atalho, desvio ou algo parecido. Abrira uma nova possibilidade, um novo caminho com aquele corte inesperado, doera um pouco sim, mas, em pouco tempo restariam apenas cicatrizes. Achou graça desse pensamento e dormiu embalada por aquela novidade. Adélia Carvalho
Escrito por Adélia Carvalho às 21h42
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