Santa Clara Clareai
Santa Clara Clareai Ao Mau Tempo Afastai Santa Clara Clareai Sentia uma dor lancinante. Uma dor que se fazia maior e mais barulhenta a cada instante, como uma chuva que começa branda e vira-se em tempestade. Santa Clara clareai... Não tinha respostas e os trovões gritavam dentro de si. Ao mau tempo afastai... Saber é custoso demais. Santa Clara, clareai Estes ares... Queria de volta o sossego que perdera com a desconfiança adquirida. Dai-nos ventos regulares de feição... Sentia sua alma precipitar-se em direção ao abismo. Dúvidas. Tudo tão turbulento e frio. Estes mares, estes ares Clareai... O olhar distante querendo alcançar a certeza perdida. Santa Clara, dai-nos sol. Mirava longe sem enxergar nada. O perto já havia se esvaído na dor. Não restava nada. Perdera-se em trevas. Alumiai Meus olhos na cerração... Lágrimas grossas escorriam em seu rosto, como as gotas na vidraça embaçada. Percebeu-se só, como nunca. O outro era distante demais para o entendimento de quem mal se compreendia. Estes montes e horizontes Clareai... sentia suas certezas quedarem sem força para resistir. Santa Clara, no mau tempo Sustentai... Seus sonhos não voavam mais tão alto. Arrastavam-se desiludidos. Nossas asas Governai... Tremia de febre e frio. O vento forte afastava tudo que construíra, todas as certezas dos outros que preenchiam seus vazios. Tinha medo de saber o já sabido. Afastai Todo risco... Medo de perder o que já não lhe pertencia. Medo de ser descoberta assim, ensopada pela chuva, despenteada pela vento, arrancada pelas raízes. Santa Clara, todo risco Dissipai... Esperava sem sossego, mesmo sabendo que toda tempestade, mais hora, menos hora, vai embora. Algumas fazem mais estragos, outras menos, deixando sempre uma única certeza: Santa Clara, clareai. Ela volta. Adélia Carvalho
Escrito por Adélia Carvalho às 20h01
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