BLOG ADÉLIA CARVALHO
 


Dia 118 - 26 de Outubro de 2015

JOÃO E MARIA – Maria Clara Machado

Os meninos deixados na floresta pelo pai e a madrasta que estão sem dinheiro para sustenta-los e que encontram uma casa toda feita de doces é o tempo dessa peça.

A diversidade de espaços dessa história (casa dos pais, floresta, casa da bruxa, gaiola, etc) só é possível graças a inventividade da encenação que se utiliza dos pássaros para colocar  e retirar os cenários, assumindo todas as mudanças.

BRUXA – Estão dormindo os gostosinhos. Tirem a casa, passarinhos.

(os pássaros tiram a casa de doces)

BRUXA – Tragam a gaiola! Vou engordar primeiro o menino. Quero ele bem gordinho. Depois a menina. Há! Há” Há” Vou ter banquete por muito tempo...” (p.35)

E os pássaros são os mesmos que comem os farelos de pães deixados por João para marcar o caminho de volta para casa e são os mesmos que conduzem os meninos até a casa de doces.

O uso desse artifício, facilita a mudança de cena e torna mais teatral a adaptação desse conto, criando uma nova forma de lidar com essa fantasia.

Referência:

MACHADO, Maria Clara. Teatro VI. Rio de Janeiro: Agir, 1986.



 Escrito por Adélia Carvalho às 23h33
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Dia 117 – 25 de Outubro de 2015

MENININHA – João Cícero e Laura Castro

Quando comecei o mês de outubro pretendia postar todos os dias um texto infantil em homenagem ao mês das crianças. Mas as minhas crianças resolveram chegar no dia 14, desse mês, e mudaram tanto o meu ritmo, minha vida, meus horários, meus gostos, meus desejos, meus amores, minhas prioridades que relaxei e acabei fazendo textos diversos nesse mês também.

Hoje, 11 dias depois da chegada dos meus pequenos escolhi um texto infantil, um texto que fala do nascimento de um filho, mas também do nascimento de uma  mãe, o quanto esse momento envolve uma gama enorme de sensações, desejos, alegrias, medos, ansiedades e descobertas na construção de uma relação.  Uma vontade de estar perto pra sempre e de olhar com novos olhos o que os olhos dos filhos começam a desvendar com o olhar. Olhos do corpo, da alma, do coração.

“MÃE – Olha filha, aqui desse lado fica a lua. Do outro lado, fica o sol. E ali, bem lá no alto, ficam as estrelas. Aquelas ali são as três Marias. Um, dois, três Marias. (mãe aponta as estrelas e para o bebê) Um, dois, três, quatro Marias (Mãe aponta as estrelas, o bebê e depois para ela mesma) Um, dois, três, quatro, CINCO Marias!! Bonito, né?”

A peça  constrói uma passagem por vários momentos da vida da mãe e da filha. A ansiedade e o medo da chegada, o preparar-se e o nunca estar pronta, as primeiras descobertas, o mundo imaginário fantástico, os amigos que descobrimos nele na infância, o medo de olhar para mundo e deixar o mundo te ver, o poder e o querer, o sonho e  a realidade; desvendando conflitos do ser filha e ser mãe. O caráter fragmentado da peça, entremeado de canções, propõe um tom poético, distanciado do realismo, com um clima onírico. O universo das crianças é invadido pela descontinuidade, pela inventividade, musicalidade e tantas “dades” que vamos perdendo com a idade, nos afastando delas e, talvez, só voltemos a olhar de frente, encarando com verdadeiro interesse quando nos tornamos mães e retornamos a esse universo, agora com um novo olhar, desesperadas por acertar, por fazer exatamente como deveria ser tudo, da melhor forma, embora na maioria das vezes, essas certezas nos escapem do planejado, saltem de nossas mãos com passos desequilibrados, prontas para errar novamente, para desaprender e descompreender  e reencontrar o único caminho certo, o de reiniciar esse encontro do amar.

Referência:

 

Cópia do autor. 



 Escrito por Adélia Carvalho às 21h31
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Dia 116 - 24 de Outubro de 2015

A BRUXINHA QUE ERA BOA  - Maria Clara Machado

A bruxinha Ângela não consegue ser má como as suas outras coleguinhas de turma,  a bruxa Caolha e a Fredegunda. Ela precisava passar em um exame para ganhar a Vassoura a Jato e não ser presa na torre de piche, mas, suas possibilidades são muito pequenas, pois ela não sabe ser má.

“PEDRINHO – Mas quem vai dar a vassoura a jato?

BRUXINHA ÂNGELA – É o bruxo Belzebu Terceiro.

PEDRINHO – Belzebu Terceiro, aquele que é o feiticeiro mais malvado desta floresta?

BRUXINHA ÂNGELA – Este mesmo. Foi ele quem atravessou primeiro a floresta em vassoura a jato foi ele quem inventou a receita de dormir gente, foi ele quem comeu primeiro asas de fadas cruas com suco de não sei o quê, foi ele quem descobriu o Brasil...

PEDRINHO – Ah, isso não! Quem descobriu o Brasil...

BRUXINHA ÂNGELA - - Eu também pensava que fosse o senhor Pedro Álvares Cabral, mas ele disse que foi ele.

PEDRINHO – Além de ruim, é mentiroso...                     

BRUXINHA ÂNGELA – Claro, ora, pois ele é bruxo! Você queria que ele dissesse a verdade?”(p.25)

Uma peça que fala do direito de ser diferente e principalmente, de não julgar as aparências, pois muitas vezes, as pessoas pertencem à um grupo, ou têm um pensamento diferente do nosso e acabamos por nos afastar, quando na verdade, poderíamos encontrar pontos comuns entre nós mesmos.

Referência:

 

MACHADO, Maria Clara. Teatro I. Rio de Janeiro: Agir, 1998. 



 Escrito por Adélia Carvalho às 18h55
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Dia 115 - 23 de Outubro de 2015

O RAPTO DAS CEBOLINHAS – Maria Clara Machado

Um roubo vai assombrar a  paz do sítio de um coronel.

“LÚCIA – que horror! Pobre Vovô! Arrancaram o pé de cebolinha. Quem foi?

MANECO – Quem foi o ladrão, hem, vovô?

CORONEL – Não sei ainda. Temos que descobrir. Ainda ficaram dois pés. Os últimos. Ai, meu Deus! Estou tão abafado que nem posso pensar direito. Dois anos criando essas cebolinhas, e agora...

LÚCIA – Fique mais calmo, vovô. Não se amole tanto. Mandaremos vir outras mudas iguais e elas vão crescer que nem capim.

CORONEL – Lúcia, minha neta, não torne a dizer esse absurdo. Você sabe muito bem que estas cebolinhas são diferentes. São cebolinhas da Índia. Quem toma chá dessas cebolinhas tem vida longa e alegria. E estas são as últimas que existem no Brasil...” (p. 60)

Além das crianças, do avô, do médico e do Detetive Camaleão Alface (que é o verdadeiro ladrão) há ainda três personagens: o cachorro Gaspár, a gata Florípedes e o burro Simeão  que embora não falem (fala enquanto emissão de palavras) tem enorme participação na peça, compondo com ações que fazem importante a participação desses personagens na peça.

Referência:

MACHADO, Maria Clara. Teatro I. Rio de Janeiro: Agir, 1998.



 Escrito por Adélia Carvalho às 20h42
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Dia 114 - 22 de Outubro de 2015

PLUFT, O FANTASMINHA – Maria Clara Machado

Uma peça deliciosa que mexe de forma delicada com personagens que, tantas vezes, assombram as crianças, como os fantasmas.

“PLUFT – Mamãe!

MÃE – O que é, Pluft?

PLUFT – Mamãe, gente existe?

MÃE – Claro, Pluft, claro que gente exite.

PLUFT – Mamãe, eu tenho tanto medo de gente!” (p.171)

Pluft é um fantasminha que tem medo de gente e que vai conseguir vencer esse medo ao ter que ajudar a pequena Maribel, uma garotinha, neta do Capitão Bonança que é sequestrada pelo Pirata Perna de Pau e presa num sótão que é cheio de fantasmas.

A inversão da sensações: o fantasma que tem medo de gente (como muita gente tem medo de fantasma) é uma grande sacada da autora, que nos aproxima desse personagem tão doce e como nós, tão cheio de sensações em relação ao desconhecido.

Referência:

 

MACHADO, Maria Clara. Teatro I. Rio de Janeiro: Agir, 1998. 



 Escrito por Adélia Carvalho às 22h55
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Dia 113 - 21 de Outubro de 2015

PERDOA-ME POR ME TRAÍRES – Nelson Rodrigues

 

“NAIR – Você sempre não disse que achava a morte de sua mãe linda? Não disse?

GLORINHA – Disse.

NAIR – Você se fartou de dizer, no colégio, que achava sem classe nenhuma essas mortes por doença, velhice ou desastre. Você queria morrer assim, como sua mãe: moça, bonita, tomando veneno. Minto? Responde!

GLORINHA – É isso mesmo!

NAIR – Terias coragem?

GLORINHA – De que?

NAIR – De morrer como tua mãe?Mas  morrer comigo, em minha companhia,  nós duas abraçadas?

GLORINHA (com pungente espanto) – Morrer contigo?

Nair (Sofrida, Veemente) - Não achas legal? Um pacto de morte? É fogo minha filha, fogo! (baixo, ardente) Eu morreria agora, nesse minuto se...(Crispada de medo) Porque eu não queria morrer sozinha, nunca!(com voz estrangulada) O  que mete medo na morte é que cada um morre só, não é?  Tão Só. É preciso alguém para morrer conosco, alguém! Te juro que não teria medo de nada se tu morresse comigo.

GLORINHA – Não!

NAIR - (Quase chorando) Eu não precisaria tirar o filho, não precisaria fazer a raspagem. (baixo, aliciante) E até já imaginei tudo, vê só: a gente entra num cinema e lá, no meio da fita, toma veneno, ao mesmo tempo. E quando acenderem a luz, nós duas mortas... Estão levando um filme de Gregory Peck...

GLORINHA – De Gregory Peck? Que ótimo!

NAIR (numa apelo de todo o ser) – Queres? Tua mãe não se matou?

GLORINHA (transita de medo) – Tenho medo!” (p. 139)

Esse é o segundo texto de Nelson Rodrigues que conheci e esse  trecho, parte da cena que fiz em um exercício que me fez ainda mais apaixonada pelo autor. Nelson era para mim um autor extremamente invasor, atrevido, abusado, descarado, quebrando com diversos tabus e tudo que a sociedade prefere omitir, mas que muitas vezes está ali, acontecendo bem debaixo dos nossos olhos. Não é possível, para mim, não temer uma obra como a de  Nelson Rodrigues, mas, não é possível não ter uma ponta de desejo por fazer seus textos. Todos os dias eu quero encenar Nelson Rodrigues. Gosto da fluidez de seus textos, da cadência da escrita rápida e ao mesmo tempo intensa de cada uma de suas obras.

Nessa peça temos uma história presente uma passada. Na presente Glorinha que vive com o seu tio, admirando o fantasma de sua mãe que se matou tomando veneno, ela é uma menina medrosa que teme o tio, mas, tem um desejo enorme por romper as barreiras que ele lhe impõe. Ao não ficar com sua amiga Nair até o fim do aborto(no qual ela morre) ela acaba sendo descoberta pelo tio de sua ida a um bordel. Seu tio então lhe conta a história real de sua mãe. Temos então a segunda história de Judite que era casada com Gilberto (irmão do Tio Raul) que enlouquece de ciúmes, desde então Judite começa a ter vários amantes e finalmente Tio Raul obrigada que ela tome veneno. Ele tentará fazer o mesmo com Glorinha que apesar de mais jovem, consegue engana-lo convencendo-o a morrer com ela.

TIO RAUL – Segura Glorinha...vamos beber no mesmo copo...mas antes de morrer...diz...ficaste nua para o deputado?

GLORINHA – Bebe.

TIO RAUL – Tu me amas?

GLORINHA – Te amo.

TIO RAUL – Glorinha, eu te criei para mim. Dia e noite, eu te criei para mim! Morre pensando que eu te criei para mim.

(Os dois levantam o copo aos lábios, ao meso tempo. Tio Raul bebe de uma vez só. Glorinha não bebeu. Tio Raul cai de joelho soluçando)

TIO RAUL – Bebe! Morre comigo!

(na sua ferocidade, Glorinha atira-lhe no rosto o conteúdo do copo)”

Referências

RODRIGUES, Nelson. Perdoa-me por me traíres. . In:Teatro Completo Nelson Rodrigues – Tragédias Cariocas I. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985.



 Escrito por Adélia Carvalho às 22h28
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Dia 112 - 20 de Outubro de 2015

A FALECIDA – Nelson Rodrigues

Zulmira tem loucura pela morte, ela só pensa e fala sobre isso, encomendou um caixão dos mais caros já por antecedência, embora não tivesse condições de pagar ela tinha seus planos.

Zulmira se importa mais em ter um enterro caro e cheio de pompa, do que em viver.

“TIMBIRA – Pois não!

ZULMIRA – Eu venho correndo várias empresas funerárias, de forma que tenho notado que os preços aqui, são os mais caros.

ZULMIRA – Mas eu prefiro assim!

TIMBIRA – Como?!

ZULMIRA – Porque a família dessa minha amiga, que está muito doente – a família não faz questão de preço. Quer o melhor enterro possível, nada mais.

TIMBIRA – E eu posso saber o nome? O nome de sua amiga?

ZULMIRA – Já, não.

TIMBIRA – Como queria.

ZULMIRA – O senhor vai saber na hora...” (p. 80)

E realmente a Zulmira morre, mas antes, faz o marido prometer que procurará um senhor muito rico o Pimentel, que lhe dará todo o dinheiro para o enterro.

Como um senhor que não conhecia bem a Zulmira, pagaria tanto por um enterro de uma desconhecida?

Esse mistério será desvendando no encontro do marido e daquele que descobriremos ser o amante.

A construção dramatúrgica desse texto é fantástica, o desenrolar das situações, o entrelaçamento com as personagens, etc, tudo muito bem amarrado e nos levando a personagens e cenas fantásticas.

Referência:

 

RODRIGUES, Nelson. A Falecida. In:Teatro Completo Nelson Rodrigues – Tragédias Cariocas I. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985.



 Escrito por Adélia Carvalho às 23h23
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Dia 111 - 19 de Outubro de 2015

A GATA BORRALHEIRA – Maria Clara Machado

Bem próxima do conto de fadas da Gata Borralheira ou Cinderela como será chamada em algumas versões, nessa peça a princesa faz o mesmo percurso da jovem sem esperanças que quase não deseja sair daquela vida, pois não vê perspectiva para si. O baile do príncipe a atrai, mas,não por acreditar que será a escolhida, mas sim, pela possibilidade de viver algo diferente. As irmãs têm certeza que serão escolhidas, mas, no final das contas não é o que realmente acontece.

“PRINCIPE - Não há mais ninguém nesta casa?

MADRASTA – Não, Alteza, isto é, só uma Borralheira imunda e feia.

PRÍNCIPE – Onde está ela?

MADRASTA – Mas, Alteza, ela...

PRINCIPE – Vá buscá-la, minha senhora...” (p.25)

Mais uma vez a autora encontra boas soluções para cenas que só seriam possíveis na imaginação, mas, que no teatro podem ser resolvidas muitas vezes com simplicidade.

Referência:

MACHADO, Maria Clara. A Gata Borralheira. In: cadernos de teatro nº15, 1961.



 Escrito por Adélia Carvalho às 23h18
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Dia 110 – 18 de Outubro de 2015

O FANTÁSTICO MISTÉRIO DE FEIURINHA – Pedro Bandeira

Um escritor é convocado a salvar o mundo das fadas, por um lacaio da Princesa Dona Branca Encantada, ele deve encontrar essa história desaparecida e assim ajuda às personagens dos contos de fadas a não desaparecerem.

“CINDERELA –O que vamos fazer?

ADORMECIDA – Como vamos investigar o desaparecimento sem conhecer a história da desaparecida?

BELA- Com quem vamos falar?

RAPUNZEL – Tem um jeito! Pense só: Como é que as pessoas ficam conhecendo as nossas histórias?

BELA - Nos livros de história, é claro.

ADORMECIDA – Entendi! Vamos procurar o livro onde está narrada a história da Feiurinha!

BELA – Grande ideia! Agora a coisa fica fácil! Quem escreveu a história da Feiurinha?”

O escritor vai procurar a história da Princesa Feiurinha por toda parte, mas ninguém a conhece e ele vai desvendar o porque do desaparecimento dela.

“ESCRITOR- Perceberam porque Feiurinha desapareceu? Porque ninguém jamais escreveu sua história! Porque as fantásticas aventuras dessa heroína de sonhos, por não estar escrita, não se renova através dos séculos nas risadas e emoções das crianças”

Mas em meio a esse desespero sobre como encontrar agora a princesinha, eles vão ser surpreendidos por Jerusa, empregada do escritor, que conhecia toda a história e assim, pôde conta-la ao escritor para que ele pudesse registra-la.

A importância de preservar as histórias, passando-as para a frente e permitindo que sobrevivam é a grande questão dessa peça deliciosa.

Referência

Cópia Xerox.



 Escrito por Adélia Carvalho às 21h56
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Dia 109 - 17 de Outubro de 2015

MATEUS E MATEUSA – Qorpo-Santo

Um texto muito interessante para refletir a relação com a mulher, na sociedade do Século XIX.

A esposa, Mateusa, adota uma derivação do nome do marido(Mateus) após abdicar do nome dado por seu pai, que era um nome masculino. Ela obviamente sai de uma apagamento a outro.

“MATEUS – (...) Porque não quiseste tu o teu nome de batismo, que te foi posto por teus falecidos pais?

MATEUSA – Porque achei muito feio o nome de Jônatas que me puseram, e então preferi o de Mateusa que bem casa com o teu.

MATEUS – Sempre és mulher, e não sei o que me pareces depois que ficaste velha e rabugente.” (p.36)

A relação com as filhas, também é de infantilização, vangloriando a virgindade num tom bastante moralista.

“MATEUS: - Meus anjos (tãobém querendo acomodá-las). Minhas santas; minhas virgens... não quero que briguem, porque isso me desgosta. Sabem que já sou velho e que os velhos são sempre mais sensíveis que os moços... quero vê-las contentes; contentezinhas; ao contrário fico triste.(p.34)

Na leitura parece tratarem-se de crianças, mas, pela idade dos pais, percebemos essa impossibilidade.

A relação do casal, que parece a princípio ser tranquila, de paz, com uma ou outra rabugisse, vai se mostrando cada vez mais ofensiva e dura, ele querendo controla-la e prende-la com base nas leis que os unem, ela rejeitando todas as leis e falando da sua invalidade.

“MATEUS -  Não há de ir; não há de ir; não há de ir porque eu não quero que vá! Você é minha mulher; e pelas leis tanto civis como canônicas, tem obrigação de me amar e de me aturar; de comigo viver, até eu me aborrecer!

MATEUSA  - Não hei de! Não hei de! Não hei de! Quem sabe se eu sou sua escrava!? É muito gracioso, e até atrevido! Querer cercear a minha liberdade! E ainda me fala em leis da Igreja e civis, como se alguém fizesse caso de papéis borrados! Quem é que se importa hoje com Leis (...). Pegue lá o Código Criminal, - traste velho em que os Doutores cospem e escarram todos os dias, como se fosse uma nojenta escarradeira!” (p.36)  

Referência:

 

Qorpo-Santo. Mateus e Mateusa. In: cadernos de teatro nº 65, 1975.



 Escrito por Adélia Carvalho às 00h45
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Dia 108 -16 de Outubro de 2015

SOBRE OS MALES QUE O FUMO PRODUZ – Anton Tchekov

De cara o personagem desse monólogo, Ivan Ivánovich Husmeadvórov é apresentado como  “marido de sua mulher, a qual, por sua vez, é proprietária de um conservatório de música e de um pensionato de moças.”(p.30) Essa informação já nos coloca diante de um personagem quase sem personalidade, essa apresentação pouco descreve ele e ao mesmo tempo, nos dá muitas pistas sobre sua dependência da esposa.

Ele então diz que, por ordem da esposa sempre faz conferências beneficentes e essa, por ordem da mulher deveria ser sobre os males que o fumo produz.

“Para tema de minha conferência de hoje escolhi, se assim me posso expressar, os males causados à humanidade pelo uso do fumo. Eu, pessoalmente, fumo; mas minha mulher me ordenou dissertar hoje sobre os males que o fumo produz e, então, é inútil discutir. Sobre o fumo? Vá lá, que seja sobre o fumo, para mim tanto faz.” (p.30)

Mas, embora essa introdução dê tanta ênfase no assunto, ele não falará sobre o fumo em momento algum e sim sobre a dificuldade de sua relação, sobre as filhas que tem com a esposa, sobre o pensionato e tudo para dizer, no final das contas o quanto é insuportável sua relação, mas, mesmo de toda explosão sabemos; ele continuará nela.

“Ah, como eu gostaria de arrancar do meu corpo a porcaria deste fraque que usei no meu casamento há 30 anos...(tira bruscamente o fraque) e com o qual estou sempre fazendo conferências de caridade! Toma, desgraçado” (Pisa do fraque) Toma! Estou velho, pobre, miserável como este colete todo rasgado nas costas. Não preciso de nada, estou acima de tudo isto, sou mais puro do que tudo isto; já fui moço, inteligente, estudei na universidade, considerava-me um ser humano, sonhava... agora não necessito nada, nada... nada mais do que descanso... descanso... (olha para trás e põe de novo, rapidamente, o fraque) Mas atrás dos bastidores está minha mulher; veio e está me esperando aí. (consulta o relógio) Terminou a hora... se ela perguntar, peço por favor, digam que a conferência foi feita...que o palhaço, quer dizer eu, se portou dignamente.(...)” (p.32)

E ele encerra a conferência como se tivesse falado sobre o tema todo o tempo. Há uma loucura, um destempero, uma revolta por viver sob as ordens dessa esposa.

 

Referência:

TCHEKOV, Anton. Sobre os males que o fumo produz. In: Cadernos de teatro nº 15, 1961.



 Escrito por Adélia Carvalho às 00h22
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Dia 107 - 15 de Outubro de 2015

O SACO DA ESPERTEZA – Marcel  Temporal

Uma parábola sobre a esperteza em forma de peça curta.

Um guarda tenta prender um ladrão e nunca consegue, devido à esperteza dele. Mas um menino ainda mais esperto vai dar sua ajuda.

“GUARDA – Que saco é esse?

MENINO – É meu.

GUARDA – Tem alguma coisa dentro?

MENINO – Tem; a minha esperteza. (Guarda olha dentro do saco)

GUARDA – Não vejo nada, está vazio.

MENINO – Esperteza não se vê assim. Só se vê depois.” (p.33)

E depois de enganar o ladrão e fazê-lo entrar no saco acreditando que ficaria invisível, o menino convence-o a passar pelo Guarda, quando ele finalmente é preso.

Referência:

 

TEMPORAL, Marcel. O saco da esperteza. In: cadernos de teatro nº19, 1962.



 Escrito por Adélia Carvalho às 22h06
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Dia 106 - 14 de Outubro de 2015

A REVOLTA DOS BRINQUEDOS – Pernambuco de Oliveira e Pedro Veiga

Num sonho, ou numa aventura travestida de sonho, uma menina que vivia maltratando seus brinquedos: Um urso PIPÃO, um soldado CAPITÃO, um mamulengo XEXEU,  uma boneca BABY LINDA, um robô ROB e uma boneca preta MARIA RITA; vai viver um acerto de contas com eles, que pretendem fazer justiça por todas as crueldades realizadas pela menina.

“CAPITÃO – É o dia da nossa revolta!

PIPÃO – Revolta? Que revolta?

XEXEU – Não digam mais nada, por favor! Senão eu acabo dando nesse urso! (contendo-se) Ursinho do meu coração, vê se entende, sim? A nossa revolta. A revolta dos brinquedos contra as maldades da nossa dona.”

E em meio às combinações, decidem que o mais justo seria fazer um julgamento.

“ROB – Proponho que seja feito um julgamento em regra.

TODOS – Isso.

ROB – UM julgamento com juiz, advogado e tudo.

BABY –Muito bom!Nós somos brinquedos, mas o julgamento será de verdade.

PIPÃO – Será que ela deixa?

CAPITÃO – O julgado vai ser de verdade.

MARIA RITA – Ela tem que deixar.”

Mas finalmente ao decidir o castigo da menina, eles percebem que estão sendo tão errados quanto ela, pois ela era má, sempre que acreditava que os outros eram maus com ela e, eles, acabaram agindo exatamente como ela.

Uma reflexão sobre o julgamento que fazemos dos outros e a nossa capacidade de repetir os mesmo erros, pensando que estamos fazendo justiça. Uma peça divertida, alegre, cheia de grandes aventuras e personagens muito interessantes.

 

Cópia Xerox. 



 Escrito por Adélia Carvalho às 00h05
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Dia 105 – 13 de Outubro de 2015

O DRAGÃO VERDE – Maria Clara Machado

Nessa peça o reino de Verdes Campos está sendo atacado por um terrível Dragão Verde.

“MINISTRO – Desta vez, Majestade, ele abusou. Comeu seis damas da corte, cinco deputados federais, um vereador municipal, dois tenentes, quatro crianças inteligentíssimas e um bispo aposentado.” (p.120)

O rei então promete ao povo que o guerreiro que destruir o Dragão Verde, ganhará a mão de sua filha Filosel Aurora em casamento. Ela aceita para cumprir sua obrigação de princesa, mas, fica apavorada, principalmente depois que se vê apaixonada pelo jardineiro, um garoto frágil que acaba decidindo lutar também com o Dragão Verde.

“PEDRO – Quero matar o Dragão Verde.

ALUNO 3 – Então é isto que você quer?

PEDRO – Quero me casar com a Princesa Filosel Autora.

GOLIAS – Levanta daí, jardineiro. Não vê que isto não é para você?Vá cuidar das suas rosas e deixa a espada para quem pode e sabe.”(p.137)

Mas obviamente o amor é a maior das forças e por ele, o jovem Pedro vai procurar um sábio que irá conduzi-lo à vitória e ao casamento com sua amada princesa.

Uma peça muito ágil, divertida, que mistura elementos de diversos tempos em uma estrutura medieval, ultrapassando os limites da realidade e fazendo dessa história uma divertida aventura.

Referência:

MACHADO, Maria Clara. Teatro VI. Rio de Janeiro: Agir, 1986.



 Escrito por Adélia Carvalho às 14h50
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Dia 104 – 12 de outubro de 2015

BONEQUINHA DE PANO – Autor desconhecido

Um dia minha mãe encontrou esse texto do tempo em que ela dava aula e me deu uma cópia. A página solta de uma revista, não tinha nome de autor então não tenho como dar referência.

Mas, é uma peça curta, com 6 personagens, na verdade 6 bonequinhas: uma bonequinha de pano, uma enfermeira, uma professora, uma costureira, uma cabeleireira e uma dona de casa.

A Bonequinha de Pano procura ajuda das outras bonecas para conseguir uma roupinha mais bonita, com cada uma ela tenta de uma forma diferente.

“BONEQUINHA DE PANO – Eu queria saber por que veste roupas tão bonitas!

ENFERMEIRA – Este é o meu uniforme. Todas as enfermeiras vetem um uniforme igual. É para a gente ser logo reconhecida pelos que precisam de nós. Usamos uniforme durante o nosso trabalho.

BONEQUINHA DE PANO – E qual é o seu trabalho?

ENFERMEIRA – O trabalho de uma enfermeira é atender aos doentes, ajudar o médico a curar-lhes os males.”

E ela vai descobrindo que cada uma tem suas características, por algum motivo, cada uma delas se veste de  determinada maneira, mas,  não é fácil ser bonequinha enfermeira, nem professora, nem costureira, nem cabeleireira, é preciso estudo,  vocação e amor pela profissão. Mas quando ela encontra a boneca Dona-de-casa ela descobre que essa boneca tem um pouquinho de todas aquelas profissões e muito mais e esse muito mais, vai fazer com que ela se disponha a cuidar e ensinar um pouco a bonequinha de Pano, adotando-a como uma de suas filhas.

“DONA-DE-CASA – Acho  que encontrei a solução ideal! Você está, realmente, precisando de carinho e amor. Apesar de tantos compromissos que tenho, encontrarei tempo para me ocupar de você. Na minha casa, entre os meus filhos, você terá um lar. Serei sua mãe adotiva.

BONEQUINHA DE PANO – Mãe adotiva não é mãe de verdade...

DONA-DE-CASA –Quem adota uma criança deve ser para ela mãe de verdade. E isso vai acontecer conosco. Agora vamos. Há uma vida nova pra você...”

E a historinha, nos surpreende ao final, ao mostrar que, o que a bonequinha precisava, talvez nem fosse mudar, mas, encontrar amor, carinho e cuidado, para se aceitar, para se sentir incluída.  



 Escrito por Adélia Carvalho às 14h43
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